IA pode se tornar ameaça se ateísmo influencia-la, diz escritor

O professor e escritor Michael Shellenberger, da Universidade de Austin, abordou o impacto da cultura ocidental contemporânea na disseminação da inteligência artificial (IA) durante a Conferência da Alliance for Responsible Citizenship (ARC) 2025, realizada em Londres, no dia 18 de fevereiro.

O evento reuniu pensadores, empresários e formuladores de políticas para debater a construção de um futuro estruturado em princípios mais sólidos.

Em sua palestra, Shellenberger destacou a relação entre o avanço da IA e a crise moral no Ocidente, mencionando o declínio da identidade religiosa e suas implicações.

Segundo ele, “a porcentagem de americanos com qualquer identidade religiosa vem diminuindo, e os números são ainda mais dramáticos na Europa, onde 80 a 90 por cento dos europeus não acreditam em Deus”.

O autor argumentou que essa mudança pode ter consequências diretas na forma como a sociedade lida com o desenvolvimento tecnológico, especialmente no campo da IA.

Shellenberger contextualizou o atual cenário social e econômico do Ocidente, citando a prosperidade sem precedentes das últimas décadas como um fator de transformação cultural.

Ele observou que, após a Segunda Guerra Mundial, as ameaças à liberdade de expressão passaram a surgir não de conflitos armados, mas da estabilidade econômica e política, o que, segundo ele, gerou um distanciamento de valores tradicionais.

“Não há realmente quase nada para as crianças no Ocidente esperarem na época do Natal. Você pode ganhar esses presentes o ano todo. Você não precisa adiar sua gratificação. Talvez o problema seja que as pessoas não estão fundamentadas em um conjunto sólido de virtudes e moralidade”, afirmou.

O professor também associou essas mudanças a ideologias políticas e políticas públicas contemporâneas, citando a normalização de procedimentos de mudança de gênero e o tratamento de questões como o uso de drogas nas ruas.

Ele alertou para o papel da IA nesse contexto, argumentando que ela poderia ser usada tanto para reforçar como para combater narrativas dominantes: “A mídia promove conceitos como privilégio branco, hierarquia racial, branquitude e supremacia branca, causando pânico em toda a população sem nenhuma base na realidade”, disse.

Além disso, Shellenberger mencionou a colaboração entre Elon Musk e o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) nos Estados Unidos, destacando a importância de uma abordagem ética para o uso da IA: “A decisão sobre o que constitui desperdício, fraude e abuso é uma decisão humana”, explicou, apontando que tecnocratas não deveriam ser responsáveis por definir questões morais fundamentais.

Em um ponto adicional, ele citou o discurso do vice-presidente dos EUA, JD Vance, na Conferência de Segurança de Munique, no qual criticou restrições à liberdade de expressão e a política de imigração europeia.

Segundo Shellenberger, a “janela de Overton está se abrindo” para discussões anteriormente evitadas, mencionando até mesmo mudanças na abordagem da BBC sobre certos temas.

Ele encerrou sua palestra discutindo o papel da masculinidade na sociedade moderna, criticando tanto a ideologia acordou quanto influenciadores como Andrew Tate, que, segundo ele, representam um modelo distorcido de masculinidade. “Podemos lutar por algo melhor. Para sermos cavalheiros”, concluiu, conforme informado pelo O post cristão.

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