“De ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção!… em ti serão benditas todas as famílias da terra.” (Gênesis 12.2-3)
Dez gerações se passaram desde os dias de Noé até os dias de Abrão (mais tarde conhecido como Abraão). Após o julgamento que veio sobre a geração de Noé, seria razoável supor que era quase impossível para os descendentes de Noé esquecerem o refúgio gracioso que Deus havia provido na arca. Mas não…
Assim como a história de Noé tinha um fundo sombrio e depois um raio de esperança, o mesmo aconteceu com a história de Abraão. A escuridão caiu sobre a planície de Sinear, onde a orgulhosa rebelião da humanidade continuou na forma de sua recusa em tratar Deus como tal e encher a terra como ele havia proposto. “Em toda a terra havia apenas uma linguagem e uma só maneira de falar”, e eles se reuniram e disseram uns aos outros: “Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra” (Gênesis 11.1-4).
A empreitada foi abruptamente interrompida, é claro. Conhecendo o coração e a mente da humanidade, Deus disse: “Isto é apenas o começo (…) Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem” (Gênesis 11.6-7). E foi exatamente o que o Senhor fez.
Gênesis 12, no entanto, nos mostra outro raio de esperança. Em contraste direto com aqueles que se reuniam onde achavam melhor e queriam fazer um nome para si mesmos, Abraão foi ordenado por Deus a deixar para trás a terra que conhecia e colocar sua reputação (seu tudo, na verdade) nas mãos de Deus. Ele foi chamado a confiar na promessa de Deus: “De ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção!”
Somente Deus pode tornar um nome e um legado verdadeiramente grandes. E a linha melódica que percorre o resto do Antigo Testamento é essencialmente esta: em Abraão, “todas as famílias da terra serão abençoadas”.
Em outras palavras, Deus prometeu que a descendência de Abraão traria a bênção que foi perdida como resultado da Queda. Foi Deus quem, em resposta à torre de Babel, dividiu e dispersou uma humanidade empenhada em desafiá-lo. Você pode experimentar um pouco dessa divisão em sua própria família neste Natal. Você certamente lerá sobre isso nos jornais.
E é Deus quem une e reúne uma humanidade que deseja adorá-lo.
Há um filme antigo lançado na década de 1970 chamado O Último Natal que teve parte de suas filmagens perto da igreja que pastoreei desde que me mudei para os Estados Unidos. É sobre um empresário moribundo, que descobre que está morrendo pouco antes do Natal e faz o possível para fazer as pazes com a família que havia abandonado anos antes.
Vou deixar que você veja como esse enredo se desenrola. Mas a maravilhosa história da Bíblia é que Deus está fazendo exatamente isso: reunindo seu povo e fazendo novas todas as coisas. Esse foi o seu propósito através das gerações da família de Abraão — quarenta e duas, para ser exato — até o primeiro Natal e os dias de Jesus. No entanto, a linhagem escolhida quase parou antes que o filho de Abraão, Isaque, tivesse a chance de se casar e ter filhos. E, surpreendentemente, foi o próprio Deus que pareceu ameaçar as promessas que havia feito a Abraão.
Deus disse a Abraão para tomar seu único filho, aquele sobre quem repousava a promessa de abençoar famílias em todo o mundo, reunindo-as como povo de Deus, e oferecê-lo como sacrifício. Este mandamento não era algo simples; nenhuma explicação foi dada e nenhum benefício foi garantido. E, no entanto, Abraão obedeceu a Deus e “levantou-se de madrugada” para começar sua viagem com Isaque. A fé nas promessas da aliança de Deus que levaram Abraão a fazer as malas e deixar para trás sua antiga vida o capacitou a ser obediente, mesmo em meio a uma provação inconcebível que ameaçava essas mesmas promessas (Gênesis 22.1-5).
Depois de viajar quase 72 quilômetros com seu filho, no terceiro dia, Abraão olhou para cima e viu a montanha para a qual havia sido enviado: o Monte Moriá. E à medida que se aproximavam, ele certamente antecipou a pergunta que acabou vindo de Isaque: “Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?” Mesmo assim, Abraão confiava no Senhor: “Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto” (Gênesis 22.7-8).
Quando a história atinge seu clímax, com o filho amarrado em um altar de sacrifício e o pai pronto para fazer o impensável por causa de sua fé e temor ao Senhor, Deus intervém, enviando um anjo para interromper o sacrifício de Isaque. Abraão olhou para cima e viu um carneiro preso na moita “e o ofereceu como holocausto em lugar de seu filho” (Gênesis 22.13).
Abraão havia dito que Deus proveria um cordeiro — mas, em vez disso, ele providenciou um carneiro. Isso não é um pouco estranho? Talvez não. Talvez a palavra profética de Abraão estivesse indo além de Moriá naquele dia, indo no berço de Belém, perto de onde um anjo interromperia alguns pastores que cuidavam de seus rebanhos à noite. Aqueles pastores deixavam seus cordeiros para ir ver outro: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1.29).
E tirar nossos pecados é exatamente o que ele fez. Há cerca de 2.000 anos, no Monte Moriá, Deus fez com Seu Filho o que Abraão não precisou fazer com Isaque. Naquele dia, Deus levou Seu Filho até o topo da colina. Nos ombros daquele Filho, a madeira para o sacrifício o sobrecarregava com um grande peso. E na cruz, o Filho foi ferido; o Filho foi o sacrifício.
Esta é a história da salvação — a história de como “todas as famílias da Terra serão abençoadas”, à medida que Deus reúne um povo que habitará com ele em unidade e harmonia para sempre. O que aconteceu com Abraão só pode ser entendido à luz do Cristo; o que aconteceu naquela manjedoura só pode ser entendido à luz da cruz. Deus agora está estendendo sua mão e reunindo pessoas de todas as nações, salvando um médico aqui e um estudante universitário ali, uma criança antes de dormir e uma bisavó em seu leito de morte. Ele salva pessoas de todas as tribos, todas as línguas e todas as nações. Pense em quantos milhões adorarão a Cristo neste Natal, reunindo-se com o povo de Deus para cantar louvores a ele. Surpreenda-se com o fato de que estaremos entre eles. Isso é obra de Deus, em cumprimento de sua antiga promessa a Abraão, e é glorioso aos nossos olhos.
Para reflexão:
- Como as verdades que consideramos hoje fazem você se maravilhar com Deus?
- Que diferença fará para você neste tempo de Advento lembrar que milhões de pessoas que você não está vendo estão adorando Jesus ao seu lado?
Vem, Jesus tão desejado,
vem Teu povo libertar;
pois, vencendo o seu pecado,
hás de Tua paz lhe dar.
És pra todos a esperança,
és consolo em aflição;
pois em Ti Teu povo alcança,
alegria em Teu perdão.Tu nasceste bem pequeno,
mas és Rei libertado.
Reina em nós, ó Nazareno,
todo o dia, com amor.
Para termos acolhida
na celeste habitação,
vem, domina a nossa vida,
vive em nosso coração“Vem, Jesus tão desejado”
Carlos Wesley
O devocional acima faz parte do livro O Salvador chegou!, de Alistair Begg, publicado pela Editora Fiel em português em parceria com Truth For Life. CLIQUE AQUI para baixar gratuitamente o ebook deste devocional ou CLIQUE AQUI para comprar o livro impresso.





