“Noé achou graça diante do Senhor (…) Noé era homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus.” (Gênesis 6.8-9)
“Você está pronto para o Natal?” É uma pergunta que ouvimos com bastante frequência nesta época do ano! Mas os primeiros cristãos nunca teriam entendido tal pergunta. Nos primeiros três séculos de existência da igreja, o Natal não foi uma celebração importante. (Meus ancestrais escoceses mantiveram isso por muito mais tempo, mas outros crentes mais sensatos decidiram no século IV que o advento de Cristo era digno de uma reflexão mais profunda.)
Quando a igreja começou a celebrar o Natal, eles o fizeram com um foco duplo — tanto olhando para trás, para o que chamamos de encarnação, quanto para o fato de que esse mesmo Jesus, que veio como um bebê em Belém em relativa obscuridade, virá novamente em poder e glória. Pensar sobre este duplo motivo de reflexão e alegria suscita uma segunda (e mais importante) pergunta: estamos prontos para Jesus?
Deixamos o primeiro povo de Deus com a promessa daquele que “ferirá a cabeça” da serpente, esperando o nascimento da criança que reverteria os efeitos da Queda. Mas a próxima geração da humanidade não testemunhou a salvação, mas o assassinato. A humanidade não precisava mais de uma serpente falante porque a inspiração para o pecado era toda interior, levando à divisão, assassinato e vingança. Homens e mulheres foram “atraídos pela realidade interior de um magnetismo destrutivo”.(1) O pecado estraga o que Deus fez como algo bom, espalha-se por toda a humanidade e separa o homem de Deus e também do próximo. Dez gerações depois, em Gênesis 6, a corrupção da humanidade em seus corações e em suas ações era tão grande que Deus resolveu: “Farei desaparecer da face da terra o homem que criei” (Gênesis 6.7). O Deus que estava e está no controle, aquele que moldou as águas na beleza da criação, determinou trazer essas mesmas águas para o lugar e usá-las como uma expressão de seu julgamento. Isso é bastante devastador. Este versículo não é o tipo de passagem bíblica alegre que você vai querer incluir no cartão de Natal de sua família. Mas a Escritura é clara: Deus executará seu justo julgamento.
No entanto, também é claro que, ao mesmo tempo, nosso Deus é um libertador gracioso e misericordioso.
Em meio à corrupção e à beira do julgamento, apareceu alguém que “achou graça diante do Senhor (…) Noé era homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos”. Descobrimos que Noé era um homem que “andava com Deus”. Noé sabia quem era Deus e confiava que ele cumpriria suas promessas. Como ele confiava, ele obedeceu. Ele andou com Deus.
Você conhece o resto da história. Quando Deus o avisou sobre o que estava por vir e explicou como ele resgataria Noé e sua família, Noé obedientemente construiu a arca (que era aproximadamente do tamanho de um campo e meio de futebol, então você pode imaginar quanto tempo isso levou). Ele o construiu um dia de cada vez, confiando plenamente na palavra de Deus, esperando e se preparando para o julgamento prometido.
Esse tipo de perseverança fiel e confiança em Deus lhe descreve hoje?
Estou pronto para Jesus? Posso estar pronto para o Natal; os presentes já podem estar encomendados e embrulhados, as decorações podem parecer o cenário de um filme natalino e meu calendário social pode estar cheio. É tentador se concentrar nas coisas deste mundo, tanto as boas quanto as pecaminosas, talvez mais ainda nesta época em particular do que em qualquer outra. Porém, muito mais importante é o seguinte: estamos andando com Deus, para que estejamos prontos para a segunda vinda de Jesus, na salvação e no julgamento?
Não sabemos quando será esse dia, mas nos dizem para estarmos alertas, sermos pacientes e nos certificarmos de que estamos prontos.
Noé não andou com Deus em perfeição; nem nós. Mas tudo bem, porque Jesus Cristo andou em perfeição. Não nos foi dito que precisamos de um barco de madeira para encontrar refúgio do julgamento de Deus. Ouvimos que precisamos de uma cruz de madeira, pois sua ira foi derramada sobre seu único Filho no Calvário. Lá, Deus demonstrou misericórdia insondável ao colocar seu julgamento inimaginável em seu Filho. Ao ponderarmos sobre Cristo em um berço neste Natal, o fazemos conscientes do que ele realizou naquela cruz.
Misericórdia e graça foram dadas ali,
O seu perdão foi abundante para mim, Minh’alma ali foi livre, enfim –
No Calvário.(2)
No primeiro Natal, encontramos um Noé melhor, resgatando-nos de um julgamento maior. Aquele que andou com Deus. Aquele que é Deus. O único em quem podemos encontrar refúgio e descanso, agora e para sempre. Andamos com ele ao confiarmos em suas promessas e, portanto, buscamos obedecer a seus mandamentos.
Para reflexão:
- Você está pronto para o retorno de Jesus?
- Você está enfrentando desafios para obedecer a Jesus de alguma forma? Em qual promessa dele você pode confiar que o libertará e motivará a seguir seus mandamentos?
Tu deixaste Jesus, o teu reino de luz,
E baixaste a este mundo tão vil;
Um presépio em Belém, Tu, Jesus
Sumo Bem, escolheste por berço infantil
Vem, Jesus, habitar comigo,
Em minha alma há lugar, ó vem já.Alegraram os céus, com os santos de Deus,
Sim, por teres nascido, Jesus;
Vindo aos filhos de Adão conceder salvação,
Pela morte, em resgate, na cruz.
Vem, Jesus, habitar comigo,
Em minha alma há lugar, ó vem já.“Tu Deixaste o Teu Trono”
Emily Elizabeth Steele Elliott
Traduzido por Kate Stevens Crawford Taylor (HCC 112)
O devocional acima faz parte do livro O Salvador chegou!, de Alistair Begg, publicado pela Editora Fiel em português em parceria com Truth For Life. CLIQUE AQUI para baixar gratuitamente o ebook deste devocional ou CLIQUE AQUI para comprar o livro impresso.
(1) Alec Motyer, Olhe para a Rocha: Um Contexto do Antigo Testamento para Nossa Compreensão de Cristo (Grad Rapids, Michigan: Kregel, 1996), pág. 127.
(2) William R. Newell, “No Calvário” (1895).





