Nota do editor: Este é o quinto artigo da série de Hermisten Maia – O Ser, as pessoas e as coisas: Um diálogo entre Teologia e Filosofia. Este artigo apresenta a doutrina da asseidade de Deus — sua existência independente, absoluta e autossuficiente — mostrando que dela decorrem todas as demais perfeições divinas. Destaca que a razão, embora seja dom de Deus, deve ser submetida à revelação bíblica, pois sozinha pode ser distorcida. Explica a importância dos nomes de Deus como formas pedagógicas de revelação, enfatiza a diferença qualitativa entre Criador e criatura e afirma a dignidade única do ser humano criado à imagem de Deus. Em Cristo, o “Totalmente Outro” se fez próximo, revelando a glória divina e reconciliando o homem com o Pai. Essa verdade conduz à humildade, adoração, santidade e missão, lembrando que toda criatividade e existência humanas são derivadas do Criador.
Partindo da asseidade(1) de Deus – sua independência total e absoluta −, todas as suas demais perfeições, conforme podemos conhecer, se deduzem necessariamente, quer logicamente,(2) quer biblicamente,(3) quer de ambas as formas, visto que a lógica e as Escrituras não estão em contradição e, se completam(4) num processo de comunicar o revelado e suas implicações.
Como sabemos, a verdade é lógica − ela possui coerência interna e não se contradiz. No entanto, não podemos ignorar que, como pecadores, somos propensos a distorcer o uso da lógica, moldando-a conforme nossos próprios interesses. Assim, partimos muitas vezes de pressupostos alheios às Escrituras, comprometendo a integridade da verdade revelada.(5)
A razão, embora seja um dom de Deus, foi afetada pela Queda. Por isso, ela precisa ser constantemente submetida à autoridade das Escrituras, que são a fonte última da verdade. Quando a lógica é divorciada da revelação divina, ela pode se tornar instrumento de autodecepção, justificando o erro com aparência de coerência.
Portanto, é essencial que todo raciocínio seja cativo à Palavra de Deus (2Co 10.5), para que a lógica não se torne um meio de validar o pecado, mas sim de aprofundar nossa compreensão da verdade que liberta.
Nomes de Deus
Embora em si mesmo Deus seja “anônimo, ou seja, sem nome,” entretanto, em sua revelação ele é “poliônimo”, ou seja, possuindo muitos nomes”. – H. Bavinck.(6)
Deus se revela de forma gradual, em “doses homeopáticas” que correspondem fielmente ao seu ser e ao propósito que deseja realizar. Conhecemos a Deus por meio de sua Palavra e de seus atos, que revelam, de maneira complementar, sua natureza e vontade. Os nomes de Deus são instrumentos pedagógicos preciosos, utilizados por Ele para nos conduzir ao conhecimento de sua pessoa e de seus atributos. Cada nome aponta para aspectos específicos de sua essência santa e perfeita.(7)
Importa lembrar, contudo, que ninguém pode atribuir nome a Deus. Deus não tem nome no sentido de distingui-lo ou descritivo de sua natureza essencial.(8) Os nomes divinos fazem parte de Sua autorrevelação − são expressões acomodatícias e adequadas de suas perfeições, comunicadas conforme sua soberana vontade.(9)
Ainda assim, nenhum nome, nem mesmo todos os nomes reunidos, esgotam a plenitude de suas perfeições. Deus, em sua simplicidade, não é composto. Na unidade absoluta de seu ser, há perfeição, totalidade e harmonia plena. Deus não tem amor, justiça e santidade − Ele é, em essência, amor, justiça e santidade. Ele é absolutamente absoluto.
Podemos conhecer a Deus como Criador porque, ao longo da história, Ele tem se revelado de forma clara e contínua por meio da Criação. Cada detalhe do universo proclama sua glória, como um testemunho silencioso, porém eloquente, de sua majestade.
Nós, cristãos, podemos conhecê-lo pelo nome porque foi o próprio Deus quem se apresentou a nós. Ele é quem se autonomeia − ninguém pode nomeá-lo senão Ele mesmo.(10) Os nomes divinos não são invenções humanas, mas expressões da graça reveladora de Deus, que se acomoda à nossa linguagem para que possamos conhecê-lo.
O Criador que se manifesta na Criação é também o nosso Pai, conforme nos foi dado a conhecer em Cristo, o Filho unigênito, nosso irmão mais velho. Em Cristo, o Deus transcendente se fez próximo, acessível, relacional. Assim como a revelação, conhecer a Deus é sempre um ato de graça − nunca uma conquista, nossa.
Diferença qualitativa
Na Criação, deparamo-nos com o Ente absoluto que, por sua soberana vontade, cria do nada. Mas também encontramos o Ser pessoal que se relaciona com o homem, criado à sua imagem e semelhança.
Na relação de Deus com o ser humano, percebemos sua distinção qualitativa − Ele é o Senhor absoluto, o “Totalmente Outro” − e, ao mesmo tempo, sua proximidade amorosa, levada ao clímax em Jesus Cristo, o Deus encarnado. O Senhor dos céus é o nosso Senhor; o Deus da aliança está próximo, atento, e ouve as nossas orações (Ne 1.5,11).
Em Cristo, Deus fez-se homem. Milagre tremendo! Por um lado, esse mistério nos aproxima de Deus; por outro, revela-nos a incomensurável glória de Sua santidade. Somente Deus, sendo Deus, poderia fazer-se homem − e sem pecado. A partir desse ao singular, todo o possível a Deus, torna-se realidade e, diante de nossos olhos crentes, transforma-se em nossa própria realidade.
Nas palavras de Barth (1886-1968), “Do começo ao fim, a Bíblia nos guia para o nome de Jesus Cristo”.(11) De fato, as Escrituras caminham integralmente de Deus para o homem, visando, em Cristo,(12) pela fé, trazer o homem de volta a Deus.(13)
Calvino pontua: “A diferença entre Deus e o homem é imensa, todavia em Cristo vemos a glória infinita de Deus unida à nossa carne poluída, de tal sorte que ambas se tornaram uma só”.(14)
No ser humano encontramos o aspecto apoteótico da criação. Somente ele foi criado à imagem de Deus, distinguindo-se de todas as demais criaturas. Deus o formou com capacidades que refletem atributos divinos, ainda que proporcionais à sua condição humana.
Por essa razão, é no homem que encontramos a revelação mais elevada de Deus dentro da criação − não por mérito humano, mas por escolha soberana do Criador. Contudo, devido ao pecado que distorce nossa percepção da realidade, muitas vezes somos mais fascinados pelas maravilhas do cosmos do que pela dignidade do ser humano, que carrega em si a marca do Criador.
Nada, além do ser humano, foi criado à imagem de Deus. Essa verdade confere ao homem uma dignidade única e irredutível, que deve ser reconhecida, preservada e celebrada à luz da revelação divina.(15)
Somente Deus, que é tudo em si e de si mesmo (a se), absolutamente independente de todas as coisas − o Deus de asseidade − é o Autotheós e Auto-suficiente em poder (Êxodo 3.14). Apenas Ele possui o poder de alterar a própria essência das coisas, pois tudo subsiste por meio dele e para Ele.
Nós, por outro lado, lidamos com experiências do existir. Podemos modificar, adaptar e transformar aspectos da realidade, mas sempre dentro dos limites que o próprio Deus nos permite. A química, por exemplo, ilustra bem esse princípio: ao misturar elementos, obtemos um terceiro composto, que jamais deixará de ser, em sua essência, a junção de outros. Ainda que possamos reorganizar a matéria, não criamos — apenas manipulamos o que já foi criado.
A criação ex nihilo é prerrogativa exclusiva de Deus. Toda nossa criatividade é derivada, nunca originária. Somos, no máximo, coartífices que trabalham com os materiais que o Criador nos confiou.
Algumas considerações
A doutrina da asseidade de Deus − sua existência plena, independente e absoluta − não é apenas uma afirmação teológica abstrata, mas um fundamento que transforma nossa maneira de pensar, viver e adorar. Saber que Deus é Autotheós, o Ser que existe por si mesmo, nos liberta da ilusão de autonomia e nos convida à dependência reverente.
Ao reconhecermos que toda lógica verdadeira se submete à revelação, somos chamados a cultivar uma mente cativa à Palavra (2Co 10.5), discernindo com humildade e temor. A razão, embora afetada pela Queda, pode ser redimida e usada para glorificar a Deus quando iluminada pela Escritura.
Os nomes de Deus, revelados graciosamente ao longo da história, não apenas nos informam − eles nos formam. Cada nome é um convite à adoração, à confiança e à comunhão. Saber que o Deus transcendente se revelou como Pai em Cristo nos chama a viver como filhos, com ousadia e reverência.
A diferença qualitativa entre Criador e criatura nos lembra que, embora sejamos feitos à imagem de Deus, jamais seremos como Ele em essência. No entanto, em Cristo, essa distância foi vencida. O Deus que é “Totalmente Outro” tornou-se “Deus conosco”. Isso nos impele a viver com gratidão, santidade e missão.
Por fim, ao contemplarmos a dignidade do ser humano − criado à imagem do Deus absoluto − somos desafiados a valorizar a vida, a promover justiça e a refletir o caráter de Deus em nossas relações. A asseidade divina nos ensina que tudo o que somos e temos provém dele, e tudo o que fazemos deve apontar para Ele.
Que essa verdade nos conduza à humildade, à sabedoria e à adoração. Que vivamos como coartífices fiéis, reconhecendo que toda boa obra é fruto da graça do Criador que, sendo tudo em si mesmo, escolheu se revelar a nós − e habitar entre nós.
(1)A asseidade (do latim a se, “por si”) é a qualidade de um ser que existe por si mesmo, sem depender de qualquer outro para existir. Trata-se de um atributo exclusivo de Deus, que é incriado, autossuficiente e absolutamente independente — sua existência não deriva de nenhuma causa externa, pois Ele é a causa de Si mesmo.
Por isso, Deus não está condicionado pelo tempo, pelo espaço ou por qualquer outro ser. Sua existência é necessária, eterna e incondicionada. Diferentemente das criaturas, que dependem de causas alheias para existir, Deus é o único ser cuja existência é inerente e não causada.
A asseidade fundamenta outros atributos divinos, como a imutabilidade, a eternidade e a soberania. Como afirma a Escritura: “Eu Sou o que Sou” (Êx 3.14) e “o Pai tem vida em Si mesmo” (Jo 5.26), revelando que Deus é plenamente suficiente em Si.
Ao reconhecer a absoluta independência de Deus, esse conceito reforça a verdade de que tudo o que existe depende Dele, enquanto Ele não depende de nada nem de ninguém. (Quanto a este conceito, veja-se: Richard A. Muller, Dictionary of Latin and Greek Theological Terms, 4. ed. Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1993, p. 47).
(2) Cf. Gordon H. Clark, Atributos divinos: In: E.F. Harrison, ed. Diccionario de Teologia, Grand Rapids, MI.: T.E.L.L. 1985, p. 72-74.
(3)Cf. Herman, Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a Criação, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, 154-156; Cornelius Van Til, An Introduction to Systematic Theology, Phillipsburg, NJ.: Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1974, p. 206-210.
(4)Cf. John M. Frame, A Doutrina de Deus, São Paulo: Cultura Cristã, 2013, p. 453-454, 624 (nota 3).
(5) Toda verdade é lógica, no entanto, por algo nos parecer lógico, não significa que seja verdadeiro. A lógica é fundamental na construção e formalização de um pensamento, contudo, a apreensão do objeto, quer com fundamento ou apenas seguindo o senso comum de forma pré-analítica, é que será o fundamental. A lógica nada prova. Ela apenas desenvolve induções lógicas já contidas em suas premissas. (Veja-se: Thomas Sowell, Conflito de visões: origens ideológicas das lutas políticas, São Paulo, É Realizações, 2012, p. 18-19).
(6) H. Bavinck, The Doctrine of God, Carlisle, Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, © 1951 (Eerdmans); © (Banner), 1977), Reprinted 2003, p. 88. Ver também: Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a criação, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, p. 140. Dionísio Areopagita no 5º século, em sua teologia apofática, havia dito a respeito de Deus que Ele é a)nw/numoj (anônimo, sem nome, inominável), poluw/numoj (muitos nomes) e u(perw/numoj (Nome superior). (Dionísio Areopagita, Os Nomes de Deus: In: Jacques-Paul Migne, Patrologiae cursus completus. Series Graeca, Paris, 1857, v. 3, col. 593-596).
(7)Como sabemos, o tetragrama (hawhy) YHWH é o nome pessoal de Deus, considerado pelos judeus como o nome por excelência de Deus. Ele é usado 5321vezes no Antigo Testamento. (Cf. Gottfried Quell, ku/rioj: In: G. Kittel; G. Friedrich, eds. Theological Dictionary of the New Testament, 8. ed. Grand Rapids, Michigan: WM. B. Eerdmans Publishing Co., (reprinted) 1982, v. 3, p. 1067). Fretheim fala-nos de cerca de 6800 vezes (Cf. Terence Fretheim, Javé: In: Willem A. VanGemeren, org., Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 4, p. 736). hwhy (YHWH), é reconhecido como sendo o nome pessoal, real, essencial e pactual de Deus (hw”hoy>) (Yehovah), o qual não é atribuído a nenhum outro suposto deus ou seres angelicais. A rigor falando o tetragrama não indica necessariamente um nome mas, a existência de Deus: Ele é. (Cf. Georges Gusdorf, A Palavra, Brasília, DF.: Academia Monergista, 2021, p. 28).
Aqui, de modo especial, encontramos a afirmação da imutabilidade de Deus, a confirmação do eterno cumprimento das suas promessas decorrentes do Pacto (Ex 3.13,14; 6.2,3; 15.3; Is 42.8; Os 12.5-6). Deus não muda em seu relacionamento com o seu povo. (Vejam-se: Walter C. Kaiser Jr., Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1980, p. 111-112; G. Aulén, A Fé Cristã, São Paulo: ASTE, 1965, p. 131). “É especialmente no nome Yhwh que o Senhor se revela como o Deus de Graça” (Herman Bavinck, The Doctrine of God, 2. ed. Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1955, p. 103). “O ‘nome’ é Deus em revelação” (Geerhardus Vos, Teologia Bíblica, São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 139). (hw”hoy>) (Yehovah) é o nome revelacional de Deus (Ex 3.14-15; 6.2-3), “Eu sou o que sou” ou, “Eu sou o que serei” ou ainda: “Eu serei o que serei”. Porém, a sua origem é disputada entre os eruditos, não se tendo uma opinião consensual. No entanto, é o nome com o qual Deus se manifesta a Moisés e pelo nome que quer ser sempre lembrado. (Uma breve, porém, ótima discussão sobre o assunto temos em Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a Criação, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, p. 144-147. Mais atual, porém, menos crítico: Terence Fretheim, Javé: In: Willem A. VanGemeren, org. Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 4, p. 736-741).
No Shemá (“ouve”), o “credo judeu” –, lemos: “4 Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. 5 Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (Dt 6.4-5).
O Senhor é o Deus da Aliança que se revelou por meio de seus atos e da sua Lei. É um Deus Pessoal que se relaciona pessoalmente com o seu povo (Ex 3.14). A grandeza de Deus é-nos manifesta de forma concreta por meio de sua revelação. O mistério é enaltecido no ato de Deus desvelar-se. Isso é grandioso demais para nós. (Veja-se: Emil Brunner, Dogmática, São Paulo: Novo Século, 2004, v. 1, p. 157). Para uma abordagem mais abrangente, vejam-se: Hermisten M.P. Costa, Eu Creio, no Pai, no Filho e no Espírito Santo, 2. ed. São Paulo: Fiel, 2014; L. Berkhof, Teologia Sistemática, Campinas, SP.: Luz para o Caminho, 1990, p. 51; H. Bavinck, The Doctrine of God, 2. ed. Grand Rapids, Michigan: W. M. Eerdmans Publishing Co., 1955, p. 102ss.; A.R. Crabtree, Teologia do Velho Testamento, 2. ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1977, p. 64; J. Barton Payne, Hawa: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 346; François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 1, p. 253-254; J. Barton Payne, The Theology of the Older Testament, Grand Rapids, Michigan: Zondervan, 1962, p. 147-149.
(8) Veja-se: François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 1, p. 253.
(9) “Na Escritura o nome de Deus é autorrevelação. Somente Deus pode dar nome a si mesmo; seu nome é idêntico às perfeições que ele exibe no mundo e para o mundo. Ele se faz conhecido ao seu povo por meio de seus nomes próprios: a Israel, como YHWH, à igreja cristã, como Pai. Os nomes revelados de Deus não revelam seu ser como tal, mas sua acomodação à linguagem humana” (Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a Criação, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, p. 97). Do mesmo modo, ver: Carl F.H. Henry, Deus, revelação e autoridade: 15 teses – parte um, São Paulo: Hagnos, 2017, p. 225ss.
(10)Deus expressa o seu pensamento e a sua vontade no mundo, na Criação, envolvendo o homem com a manifestação visível da sua glória que é proclamada, apesar do pecado, de forma fecunda nas obras da Criação (Sl 19.1; At 14.17; Rm 1.19,20). (Vejam-se: João Calvino, Exposição de Hebreus, São Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 11.3), p. 299; R.C. Sproul, Somos todos teólogos: uma introdução à Teologia Sistemática, São José dos Campos, SP.: Fiel, 2017, p. 36-37; R.C. Sproul, Estudos bíblicos expositivos em Romanos, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 31-40).
Deus, o mundo e o homem são as três realidades com as quais toda a ciência e toda filosofia se ocupam (Herman Bavinck, The Philosophy of Revelation, New York: Longmans, Green, and Company, 1909, p. 83). Pois bem, se Deus não tivesse primeiramente, de forma livre e soberana se revelado (Sl 115.3; Rm 11.33-36) – concedendo ao homem o universo como meio externo de conhecimento que funciona com as suas leis próprias e regulares – toda e qualquer ciência seria impossível. O mundo, inclusive o homem, é o grande laboratório de todas as ciências. Só que, quem “construiu” este laboratório foi Deus, e deixou ao homem a responsabilidade de estudá-lo, descobrindo os “enigmas” que estão por trás das leis que funcionam de acordo com as prescrições do seu Criador. Não pensemos, contudo que Deus criou o mundo apenas para satisfazer a curiosidade humana. Deus o fez como testemunho da sua glória: “A grande finalidade da criação foi a manifestação da glória de Deus” (A.W. Pink, Deus é Soberano, São Paulo: Fiel, 1977, p. 84). Deus ainda hoje não deixou de dar testemunho da sua existência e bondoso cuidado para com o homem (At 14.17). Deus está ativo, preservando a sua criação para o fim proposto por Ele mesmo. “Deus não é mero espectador do universo que Ele criou. Ele está presente e ativo em todas as partes, como o fundamento que sustenta tudo e o poder que governa tudo o que existe” (L. Boettner, La Predestinación, Grand Rapids, Michigan: TELL. (s.d.), p. 33). A Bíblia atesta este fato amplamente (Vejam-se: Ne 9.6; At 17.28; Ef 4.6; Cl 1.17; Hb 1.3) (Veja-se: Confissão de Westminster, Cap. V). Deus faz todas as coisas “conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11/Sl 115.3).
(11)K. Barth, Church Dogmatics, Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 2010, II/2, p. 53.
(12) “Não examinamos o Antigo Testamento apenas para encontrar os antecedentes históricos de Cristo e de seu ministério, nem mesmo para buscar referências que façam previsões sobre ele. Temos de encontrar Cristo no Antigo Testamento – não aqui e ali, mas em toda parte” (R. Albert Mohler Jr., Estudando as Escrituras para encontrar Jesus: In: D.A. Carson, org., As Escrituras dão testemunho de mim, São Paulo: Vida Nova, 2015, p. 18). “A compreensão evangélica do íntimo relacionamento entre Jesus Cristo e a Escritura é tal, que um apelo a Cristo é simultaneamente um apelo à Escritura, assim como um apelo à Escritura é um apelo a Cristo” (Alister E. McGrath, Paixão pela Verdade: a coerência intelectual do Evangelicalismo, São Paulo: Shedd Publicações, 2007, p. 44).
(13) “Cristo se fez conhecido e exibido à vista de todos, porém somente os eleitos são aqueles a cujos olhos Deus abre para que o busquem por meio da fé. Aqui também se exibe um prodigioso efeito da fé, pois por meio dela recebemos a Cristo como ele nos foi dado pelo Pai – ou seja, como aquele que nos libertou da condenação da morte eterna e nos fez herdeiros da vida eterna, porque, pelo sacrifício de sua morte, ele fez expiação por nossos pecados para que nada nos impeça de ser reconhecidos por Deus como seus filhos. Portanto, visto que a fé abraça a Cristo, com a eficácia de sua morte e o fruto de sua ressurreição, não carece surpresa se por meio dela obtivermos igualmente a vida de Cristo” (João Calvino, O Evangelho segundo João, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 1, (Jo 3.16), p. 133-134).
(14)João Calvino, As Pastorais, São Paulo: Paracletos, 1998, (1Tm 3.16), p. 100.
(15) “É provável que fiquemos surpresos ao descobrir que quando o Criador do universo quis fazer algo ‘à sua imagem’, algo mais semelhante a si do que todo o resto da criação, Ele nos criou. Essa descoberta nos dá um profundo senso de dignidade e importância, pois passamos a refletir sobre a excelência de todo o restante da criação divina: o universo estrelado, a terra abundante, o mundo das plantas e dos animais e os reinos dos anjos são admiráveis, magníficos mesmo. Mas nós somos mais semelhantes ao nosso Criador do que qualquer dessas coisas. Somos a culminância da obra criadora infinitamente sábia e hábil de Deus” (Wayne Grudem, Teologia Sistemática, São Paulo: Vida Nova, 1999, p. 370). Vejam-se: Francis Schaeffer. A Obra Consumada de Cristo, São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p. 74; Stuart Olyott, Jonas – O missionário bem-sucedido que fracassou, São José dos Campos, SP.: Fiel, 2012, p. 75.
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