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A pergunta de hoje é de um homem que ouve regularmente o podcast e nos escreveu isto: “Olá, Pastor John! Paulo nos instrui a corrigir os oponentes com mansidão, esperando que Deus lhes conceda arrependimento (2 Timóteo 2.25). Mas quando olho ao redor — especialmente online — parece que muitas correções, mesmo vindas de cristãos, são duras, sarcásticas ou agressivas. Já vi isso acontecer até em conversas privadas, onde as pessoas pensam que ousadia significa ser direto ou até mesmo rude. Como corrigimos com mansidão sem comprometer a verdade? Como isso se manifesta em situações em que alguém está sendo abertamente hostil ou espalhando falsos ensinamentos? Existe algum momento em que palavras fortes e ásperas são apropriadas, ou devemos sempre buscar uma abordagem suave? Também me pergunto sobre meu próprio coração — como posso reconhecer quando minha correção é motivada por orgulho, frustração ou desejo de vencer uma discussão em vez de amor? Quais são os perigos de corrigir por raiva em vez de paciência piedosa?”
Ternura e Dureza
Certamente, todos os que leem a Bíblia de forma pensativa sentem o desafio que, por um lado, as pessoas piedosas enfrentam para
- darem uma resposta branda que desvie a ira (Provérbios 15.1),
- serem bondosos e compassivos uns com os outros (Efésios 4.32),
- não retribuir o mal com o mal, mas abençoar (1 Pedro 3.9),
- ser longânimo e paciente, e perdoar setenta vezes sete (Mateus 18.22), e
- corrigir os que se opõem com mansidão (2 Timóteo 2.24–25)
porque
- os mansos são abençoados (Mateus 5.5),
- Jesus é gentil e humilde (Mateus 11.29), e
- a ira do homem não produz a justiça de Deus (Tiago 1.20).
E ainda assim o desafio continua. Por outro lado, os piedosos devem
- repreender com toda autoridade (Tito 2.15),
- repreender severamente (Tito 1.13),
- lidar severamente com adversários, às vezes no uso da autoridade (2 Coríntios 13.10),
- condenar aqueles que resistem à correção e pregam outro evangelho, e sejam amaldiçoados (Gálatas 1.8), e
- não lançar nossas pérolas aos porcos (Mateus 7.6).
Então, o que devemos fazer com essa combinação de gentileza e severidade, ternura e dureza? Paulo disse em Romanos 11.22 (lembro-me do efeito que isso teve em mim cinquenta anos atrás, quando o vi pela primeira vez ao estudar Romanos): “Observai, pois, a bondade e a severidade de Deus”. Observem a sua bondade e a sua severidade. E certamente vemos ambas na maneira como Jesus e Paulo falavam. Ambos: Paulo e Jesus — ambos falavam com pessoas diferentes, em situações diferentes, com tons diferentes.
Responda (ou não) a um tolo
Provérbios 26.4–5 captura o desafio diretamente, cara a cara, Bang. “Não respondas ao insensato segundo a sua estultícia, para que não te tornes semelhante a ele.” Próximo versículo: “Responde ao insensato segundo a sua estultícia” — portanto, não lhe respondas segundo a sua estultícia; responde-lhe segundo a sua estultícia — “para que não seja sábio aos seus próprios olhos”. O autor, creio eu, colocou esses dois provérbios um após o outro para que não cometêssemos o erro de pensar que eram contradições. Se os víssemos em uma ponta da Bíblia e na outra, diríamos: “Ah, esses autores se contradiziam”. Não, eles vêm um após o outro do mesmo autor.
Às vezes, Jesus se recusava a responder aos tolos, como quando perguntou sobre o batismo de João e eles não lhe deram uma resposta que demonstrasse amor pela verdade. E então, ele disse: “Não vou falar com pessoas assim” (ver Mateus 21.23-27 ). E às vezes, ele lhes respondia severamente, como quando os fariseus disseram: “Precisamos ver um sinal”, e Jesus disse: “Uma geração perversa precisa ver um sinal” (ver Mateus 12.39). Então, ele fez as duas coisas.
Quando me tornei pastor (ah, como me lembro disso) em 1980, eu estava tão ansioso para acertar essa proporção de dureza e ternura como pastor que li os quatro Evangelhos em grego, colocando um “DU” na margem para tudo que soasse ficar vindo de Jesus e um “TE” para tudo que soasse com ternura vindo de Jesus. Ainda tenho aquele Novo Testamento. Peguei-o ontem só para me lembrar: Será que eu realmente fiz isso? (Foi há apenas 45 anos.) E lá estão as marcações: DU, TE, ao longo de todos os quatro Evangelhos. Lembro-me desse exercício tão claramente (e não vou dizer qual foi a contagem, porque é a prática — é caminhar com o Senhor Jesus vivo através dos Evangelhos e observá-lo ser duro e terno — que faz toda a diferença).
Precisamos desenvolver o discernimento espiritual e o tipo de plenitude emocional moldada pelo Espírito Santo que nos permita sabre como responder às pessoas — mas, tão importante quanto isso, precisamos ter a plenitude que nos permite fazer isso. Uma coisa é saber como fazer; outra é realmente ter a plenitude emocional para fazer, para responder da maneira que devemos, de forma madura, fiel à verdade, expressar zelo pela glória de Deus, dar provas de amor verdadeiro e sincero pelas pessoas, edificar a igreja, refletir a beleza de Cristo, demonstrar ousadia de coração quebrantado e convicção inabalável e contrita, e promover a missão do Senhor no mundo. Essa é a medida. Essas coisas são a medida da plenitude da nossa resposta a vários grupos, e isso exige diferentes tipos de respostas.
Como desenvolver a totalidade
Então, aqui estão alguns fatores que acredito que nos ajudarão a desenvolver esse tipo de discernimento e integridade emocional e nos permitirão responder às pessoas da maneira que devemos.
Primeiro, existem diferentes tipos de pessoas que exigem diferentes tipos de respostas. Há lobos prestes a devorar as ovelhas, e há ovelhas. “Exortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos.” (1 Tessalonicenses 5.14). Isso não significa que você pode lidar com dureza com todas as pessoas duras e com delicadeza com as gentis. As gentis podem precisar de uma palavra mais firme, e uma palavra branda pode ser o que quebra a espinha dorsal da resistência de uma pessoa durona. Significa apenas que existem diferentes tipos de pessoas em diferentes situações, e uma solução única não serve para todos.
Em segundo lugar, é absolutamente crucial que admitamos e sintamos a profundidade da nossa própria pecaminosidade em disputas com outras pessoas. Esta pode ser a coisa mais importante que tenho a dizer, pelo menos para mim. Um dos meus maiores avisos contra repreensões inteligentes, sarcásticas, divertidas e eficazes do meu adversário é que eu gosto demais disso. Isso é um aviso. O fato de que a resposta corretiva vem facilmente e as lágrimas vêm com dificuldade é um sinal de um problema profundo dentro de John Piper, e deve frear muito do minhas falas nos momentos de repreensão ou debate. Atos 20.31 diz que Paulo admoestava as pessoas com lágrimas. Filipenses 3.18 diz que ele falou dos inimigos da cruz com lágrimas. Romanos 9.2 diz que ele falou com grande tristeza e angústia de coração sobre seus parentes perdidos. É a ausência de lágrimas que me diz que posso não estar pronto para um discurso severo com outras pessoas.
Terceiro, nossa cultura é emocionalmente frágil, e precisamos ter isso em mente. Acho que nossos sentimentos são feridos mais rapidamente do que as pessoas da época de Jesus, ou de sessenta anos atrás. Muitas pessoas hoje acusariam Jesus de abuso moral, com toda a certeza. Ele não deveria falar assim. Ponto final. Isso me irritaAssim, diriam essas pessoas. Somos rápidos em culpar, rápidos em nos fazer de vítimas, rápidos em sentir autopiedade, rápidos em manipular com nossas feridas. Menciono isso simplesmente porque, se não estivermos cientes disso, podemos fazer com que nossa ternura seja resultado de manipulações feitas por meio de reclamações bem calculadas. Isso não ajudaria ninguém.
Em quarto lugar, Deus olha para o coração. Ele avalia a motivação da nossa palavra branda ou dura. Quando Paulo ameaçou tratar severamente a igreja em Corinto em 2 Coríntios 13.10, ele falou de sua autoridade como algo que lhe foi dado para edificar, não para destruir. Portanto, a motivação importa.
Quinto, tenha em mente que, se a pessoa com quem você está falando for crente, vocês viverão juntos no céu — com Cristo, com ela — para sempre. Deixe que isso tenha efeito na maneira como você fala com os outros e sobre os outros agora.
Sexto, algum esforço para se comunicar com um adversário individualmente é um bom controle sobre a comunicação pública profana.
E, finalmente, em sétimo lugar, oremos para que Isaías 50.4 se cumpra para nós todos os dias: “O Senhor Deus me deu língua de eruditos, para que eu saiba dizer boa palavra ao cansado”. Se o Senhor pode nos ensinar isso, ele também pode nos ensinar a corrigir nossos oponentes.
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