O assunto de hoje é sobre o perigo de nos afastarmos de Cristo, algo que por vezes parece ocorrer na vida dos crentes de maneira muito gradual, aos poucos. O tema de hoje vem da pergunta de uma jovem de 24 anos chamada Haley.
“Pastor John, estou escrevendo porque quero entender melhor Hebreus 2.1–3, especificamente os alertas sobre os perigos do afastamento — não em rebelião total, mas em negligência, e o processo lento e imperceptível de perder o controle da grandeza de Cristo. Ultimamente, sinto isso acontecendo em meu próprio coração. Não estou resistindo a Cristo, mas meu afeto por ele parece mais fraco, minhas orações mais fracas, meu anseio por sua presença mais tênue. Não é que eu tenha abandonado a verdade, mas posso sentir a correnteza do mundo me puxando. Não quero acordar um dia e me encontrar rio abaixo, me perguntando como cheguei lá. Como esse afastamento acontece? E, mais importante, como combatê-lo? Como posso reacender a maravilha da salvação e me ancorar mais firmemente em Cristo antes que a atração se torne forte demais?
Ação de Graças e Oração
A primeira coisa que quero dizer a Haley, e a todos nós que experimentamos as temporadas assustadoras de embotamento espiritual e medo de cair numa espécie de fria indiferença, que não só nos tornaria inúteis, mas também arruinaria nossas almas — a primeira coisa que quero dizer é: Sejam gratos. Ah, sejam tão gratos por estarem cientes do que está acontecendo.
Essa é a primeira grande descoberta, que nos leva de volta à doçura e à autenticidade de caminhar em comunhão com Jesus. E digo isso porque, quando Paulo nos diz para não ficarmos ansiosos por nada, para não temermos, ele não diz apenas: “Orem pelos seus medos”. Ele diz: “Orem por eles com ações de graças” (ver Filipenses 4.6). Portanto, bem no meio da nossa escuridão iminente, devemos misturar nosso desespero com ações de graças. Essa é a primeira coisa que eu diria. Seja grata, Haley, por você não estar cega para o que está acontecendo.
Hebreus 2.1 diz: “Prestemos muita atenção ao que ouvimos, para que não nos desviemos”. Tenho tentado lembrar a mim mesmo e à igreja em que sirvo que a vida é uma guerra. No final de sua vida, Paulo disse: “Combati ó bom combate” até o fim (2 Timóteo 4.7).
A vida é guerra. E costumávamos dizer em minha igreja: “Você não sabe para que serve a oração até saber que a vida é guerra.” A oração não é um interfone para pedir ao mordomo outro travesseiro na sala. A oração é um walkie-talkie em tempo de guerra para o quartel-general. “Precisamos de cobertura aérea agora mesmo, Deus, ou seremos varridos e invadidos pelo inimigo da incredulidade.”
Remando com o Espírito Santo
No entanto, Hebreus usa outra imagem além da guerra — a saber, remar contra a corrente. A vida é como remar contra a corrente da cultura secular e da nossa própria carne pecaminosa. É isso que ele quer dizer quando afirma: “Não se deixe levar. Não se deixe levar. Se você parar de remar contra a sua própria natureza pecaminosa, você se deixará levar em direção às Cataratas do Niágara da destruição.”
Posso ouvir alguém dizer: “Não, não, não, não. O Espírito Santo é como um motor de popa na popa do barco. Você não precisa lutar e trabalhar como cristão. Basta ligar o motor.” Bem, você pode dizer isso se ignorar muitos textos bíblicos. Acho que seria melhor dizer que o Espírito Santo é a força em nossas costas e braços para nos manter remando.
Portanto, a primeira coisa que o escritor nos diz sobre esse perigo é nos alertar que ele é real, que a deriva em direção à destruição e o naufrágio da fé são possibilidades reais se você não prestar atenção ao que ele disse. “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?” Isso está em Hebreus 2.3.
Eis como ele expressa o aviso no capítulo seguinte. Ele diz: “Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos”. Isso está em Hebreus 3.14. Isso é o oposto de se deixar levar. Mantenha-se firme na sua confiança até o fim. Não se deixe levar. Assim, no livro de Hebreus, (1) Deus nos diz para prestarmos muita atenção ao precioso Evangelho e (2) nos alerta sobre os perigos de não prestarmos atenção.
Mais ferramentas de Hebreus
Agora, o que mais ele faz para ajudar Haley e a nós a não cairmos na destruição? Ele menciona pelo menos seis coisas, e vou mencioná-las brevemente. Isto é para nos ajudar. Isto é para a nossa perseverança. Isto é para remarmos até chegarmos ao céu.
1. Olhando para Cristo
Ele nos diz para fixarmos nossa atenção em Jesus. Hebreus 3.1–2: “Considerai a Jesus, apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão, que foi fiel.” Ou Hebreus 12.2: “(Olhai) para Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual, pela alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz.” Não é por acaso que existem quatro Evangelhos no Novo Testamento — não um, quatro. Quatro retratos diferentes de Jesus. Olhem. Olhem para ele. Olhem para ele todos os dias. É por isso que eles estão lá.
2. Inspirado por Líderes
Inspire-se em líderes cristãos fiéis e perseverantes. Hebreus 13.7: “Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram.” Isso vale para líderes vivos, e especialmente para líderes falecidos, cujas biografias são tão preciosas para nos inspirar a prosseguir. Oh, como as biografias têm sido significativas em minha vida para reacender minha fé e esperança quando elas estavam definhando.
3. Exortado por outros
Não lute sozinho. Não reme o seu barco sozinho. Exorte outros e busque ser exortado. Hebreus 3.12–13: “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste (atente-se aqui) do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado.” Que Palavra clara de Deus de que o antídoto para o afastamento é ouvir irmãos e irmãs nos exortarem com a Palavra de Deus — mesmo diariamente, diz Ele.
4. Fortalecido pela Disciplina
Aprenda a interpretar suas aflições como atos amorosos de disciplina do seu Pai celestial. Elas têm o objetivo de nos ajudar a perseverar na fé e na santidade. Em Hebreus 12, depois que o escritor explica que o Senhor disciplina aquele a quem ama, ele diz: “Portanto” — e essa é a chave aqui: por causa dessa disciplina, “levantem as mãos cansadas” (Hebreus 12.12). Ou seja, coloquem-nas de volta nos remos. Coloquem-nas nos remos. Em outras palavras: porque vocês conhecem os bons propósitos de Deus em suas aflições, não desanimem e deixem suas mãos caírem dos remos e se desviarem para a destruição. Coloquem suas costas e braços nisso. Remem, remem, porque Deus é por vocês mesmo em suas aflições.
5. Meditando sobre promessas
Faça bom uso das promessas de Deus e da esperança de grande recompensa. Por exemplo, Hebreus 13.5. Como não nos deixaremos levar pelo amor ao dinheiro? Resposta: “Mantenha a sua vida livre do amor ao dinheiro… (porque) ele disse” — eis a promessa — “‘Nunca te deixarei, nem te desampararei’”. É o poder da promessa de Deus que nos mantém remando contra a correnteza mortal do amor ao dinheiro.
6. Depender através da oração
E, finalmente, o livro termina com uma oração, uma oração a Deus feita pelo autor, para que Deus opere em e por meio de todas essas outras exortações. Hebreus 13.20:
“Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, vos aperfeiçoe em todo o bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós” – ou remo – “o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém!”
Então, pegamos todas essas estratégias bíblicas para remar contra a corrente da cultura e do pecado e as saturamos com oração todos os dias. Suponho que, além da oração para que Deus santifique o seu nome em minha vida, a oração que tenho feito com mais frequência é esta: “Guarda-me. Tu morreste por mim. Tu me compraste. Segura-te em mim. Guarda-me. Não me deixes parar de remar.” E espero que você se junte a mim nessa oração que dura a vida toda.
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