Um dos 20 reféns israelenses libertados em 13 de outubroapós o cessar-fogo entre Israel e o Hamasdescreveu em entrevista televisiva atos de violência e humilhação sofridos durante o período em que esteve preso no território palestino. Rom Braslavskide 21 anosafirmou ter sido submetido a abusos e maus-tratos enquanto estava sob custódia da Jihad Islâmicagrupo aliado ao Hamas.
Em entrevista ao Canal 13 de Israel, cuja íntegra será exibida nesta quinta-feira (6)Braslavski relatou que, logo após ser capturado, foi despido à força e amarradocom o objetivo de ser “humilhado e desumanizado”.
“Foi uma violência sexual. O objetivo era me humilhar, tirar minha dignidade, e foi exatamente isso que fizeram”, declarou.
Braslavski foi sequestrado em 7 de outubro de 2022enquanto trabalhava como segurança no festival de música Novarealizado durante uma pausa em seu serviço militar. Segundo o jovem, ele permaneceu dois anos em cativeirosubmetido a condições de fome, ferimentos e espancamentos.
“Eu rezava a Deus: ‘Salva-me, tira-me desta situação’. Eu só pensava em quando isso terminaria”, contou.
Questionado se classificava o que viveu como abuso sexual, Braslavski respondeu:
“Sem dúvida alguma. É muito difícil falar sobre isso, é o pior.”
Ele descreveu ainda a rotina de medo e sofrimento:
“A cada dia, a cada surra, eu dizia a mim mesmo: sobrevivi a mais um dia no inferno. Amanhã acordarei em outro inferno. E assim por dois anos — nunca acabava”.
Provas de vida e resgate
Durante o período de cativeiro, a família de Braslavski recebeu uma primeira prova de vida em marçopor meio de um ex-refém libertado que havia compartilhado a cela com ele. Meses depois, em Agostoó Hamas divulgou um vídeo mostrando o jovem visivelmente debilitado — magro, pálido e com feridas pelo corpo — enquanto assistia, em silêncio, a imagens de crianças desnutridas exibidas em uma televisão.
Braslavski foi finalmente libertado em 13 de outubrocomo parte do acordo de cessar-fogo temporário negociado com a mediação do Egito e do Catarque resultou na troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos.
Repercussão
O testemunho de Braslavski tem repercutido amplamente na imprensa israelense e internacionalreacendendo o debate sobre as condições dos reféns ainda detidos em Gaza e sobre o tratamento dado a prisioneiros civis durante o conflito.
Autoridades israelenses afirmam que mais de 80 pessoas permanecem em poder de grupos armados palestinos, enquanto familiares dos libertados pedem atendimento psicológico e acompanhamento médico especializado para os sobreviventes. A entrevista completa de Rom Braslavski será transmitida nesta quinta-feira à noite e, segundo o Canal 13.





