Um cidadão argelino de 27 anos, identificado apenas pelas iniciais S.B., foi preso em 2 de outubro na cidade de Andria, no sul da Itália, em cumprimento a um mandado de prisão europeu. Ele é apontado como suspeito de assassinar o cristão assírio-iraquiano Ashur Sarnaya (foto), de 45 anos, durante uma transmissão ao vivo no TikTok em que a vítima falava sobre sua fé cristã.
O acusado foi extraditado para a França na noite de 27 de outubro e, no dia seguinte, 28 de outubro, formalmente indiciado pela Promotoria Nacional Antiterrorista da França (Parquet National Antiterroriste – PNAT). As acusações incluem “assassinato em conexão com uma organização terrorista” e “associação criminosa terrorista”.
Ashur Sarnaya, que era cadeirante, produzia conteúdos diários nas redes sociais, onde falava sobre a fé cristã e a situação dos cristãos do Oriente Médio. Segundo a investigação, ele foi atacado enquanto transmitia ao vivo, sendo golpeado no pescoço, o que resultou no corte da artéria carótida. Sarnaya morreu no local antes da chegada do socorro.
Fuga do suspeito
As autoridades francesas informaram que o celular de S.B. permaneceu imóvel nas proximidades da cena do crime entre 21h15 e 22h50 (horário local), período em que o ataque ocorreu. Testemunhas relataram ter visto um homem em atitude suspeita rondando a região e fugindo logo após o crime.
De acordo com os investigadores, o suspeito assistiu à transmissão ao vivo por cerca de 30 minutos, pouco antes de o ataque acontecer. No dia seguinte, desligou o celular e iniciou uma rota de fuga: viajou de ônibus até Milão, depois seguiu para Roma e, posteriormente, para o sul da Itália, onde acabou sendo capturado.
Reação da família
O advogado da família da vítima, David Andic, declarou à agência AFP que o assassinato teve motivação simbólica e religiosa: “Os fatos falam por si: foi enquanto ele pregava que Ashur foi atingido. Este ato, mais do que um crime, é uma mensagem, um ato político”, afirmou.
Andic acrescentou que o ataque não se restringe à figura do influenciador, mas ao que ele representava: “Não foi apenas Ashur que foi alvo, mas tudo o que ele simbolizava — o cristianismo do Oriente, que tem sido perseguido durante séculos. Os massacres, que se acreditava limitados às minorias de um Oriente Médio atormentado, agora ressurgem em silêncio chocante em solo francês.”
A associação Coordination Assyrienne-Chaldéenne en France (CCACF) também manifestou preocupação com o aumento dos incidentes anticristãos na França. Entre janeiro e maio de 2025, foram registrados 322 ataques contra igrejas, fiéis e símbolos cristãos, um crescimento de 13% em relação ao mesmo período de 2024.
Em resposta ao caso, 86 senadores franceses emitiram um apelo público ao governo, pedindo que sejam adotadas “medidas decisivas para salvaguardar os cristãos”, que, segundo o texto, “frequentemente se sentem abandonados”, de acordo com informações do Foco Evangélico.





