Uma nova versão da chamada “Carta dos Pregadores de Rua” foi apresentada recentemente no Parlamento do Reino Unido, após uma série de multas, detenções e processos envolvendo pastores que realizam evangelização em locais públicos. Elaborado pelo Instituto Cristão, o documento busca reforçar as garantias legais da pregação ao ar livre, proteger a liberdade de expressão e incentivar práticas responsáveis por parte dos evangelistas.
Segundo o Instituto Cristão, a carta reúne diretrizes destinadas a quem compartilha sua fé em vias públicas na Inglaterra e no País de Gales, além de orientar a atuação da polícia e de autoridades locais. O material apresenta orientações legais e recomendações de conduta, destacando a importância de manter ligação com igrejas locais, conhecer regulamentações municipais e cultivar boas relações com órgãos públicos e comerciantes.
Entre as indicações, o texto recomenda cautela ao abordar temas sensíveis, como debates relacionados a gênero e sexualidade, e enfatiza a necessidade de defender as crenças cristãs sem ataques a outras religiões. A carta também orienta atenção ao tom de voz, sugerindo evitar atitudes agressivas ou confrontadoras, bem como não direcionar mensagens a indivíduos específicos da plateia. “Seja cooperativo e respeite a autoridade legítima”, destaca o guia.
A iniciativa recebeu apoio de organizações tradicionais de evangelismo ao ar livre, como a Open Air Campaigners GB e a Open-Air Mission. O prefácio foi escrito por Lord Macdonald de River Glaven KC, ex-diretor do Ministério Público, que ressaltou o papel histórico da liberdade de expressão no Reino Unido e a contribuição da pregação pública para esse princípio. Segundo ele: “Quando realizada de forma responsável, a pregação de rua contribui para a vitalidade de nossos espaços públicos”.
O advogado Sam Webster, chefe do departamento jurídico do Instituto Cristão e autor principal do documento, afirmou que a carta busca recordar tanto pregadores quanto autoridades sobre as liberdades construídas ao longo de séculos no país. Ele expressou expectativa de que, futuramente, forças policiais e conselhos municipais também endossem oficialmente o material.
O caso que motivou a elaboração da nova versão envolve o pregador escocês Angus Cameron, de 52 anos, detido em Glasgow em 2022 após uma denúncia considerada infundada de “perturbação da paz”. Ele foi algemado e revistado em via pública, permaneceu mais de uma hora dentro de uma viatura e teve um registro policial de “incidente de ódio não criminal” emitido em seu nome, embora nunca tenha sido formalmente acusado.
Segundo o Cristão hojeo Instituto Cristão ajudou Cameron a ingressar com uma ação judicial alegando prisão ilegal, discriminação e violação de direitos humanos. A Justiça lhe deu ganho de causa, determinando uma indenização de £ 5.500, além de £ 9.400 em custas processuais — valor que ele decidiu doar ao próprio Instituto Cristão.





