Quer crescer em sabedoria?

Quem é o “seu povo”? A maioria de nós tem uma microcomunidade — as pessoas com quem fazemos exercício, passamos férias e vamos à igreja. As pessoas com quem tomamos café ou almoçamos com mais frequência. Aquelas que vêm às festas de aniversário e trazem sopa quando estamos doentes.

A comunidade é boa. Deus nos criou para precisarmos dos outros. Mas é importante reconhecer que não compartilhamos apenas espaço e experiências com os outros. Somos moldados e formados por aqueles que nos rodeiam, e nós os moldamos e formamos.

Pense em quem você mais pede conselhos. Você tem um grupo de amigos a quem recorre? Você navega nas redes sociais para ver o que os “especialistas” dizem sobre um determinado assunto? Você pergunta ao seu vizinho, à sua mãe ou à sua tia? Quais vozes têm maior influência em sua vida? Para viver fielmente a vida cristã, precisamos mais do que bons conselhos. Precisamos de amigos do evangelho que nos ajudem a andar em sabedoria.

História de advertência

Considere a história de Roboão registrada em 1 Reis 12:1-14. Seu pai, o rei Salomão, acabara de morrer, e ele se preparava para assumir o trono. Roboão primeiro “consultou os anciãos que haviam servido a seu pai Salomão”, e o sábio conselho deles foi “ser servo deste povo” e “responder-lhes com palavras bondosas” (v. 6-7, CSB).

No entanto, Roboão “rejeitou o conselho dos anciãos” e “consultou os jovens que haviam crescido com ele e o serviam” (v. 8, CSB). Ele seguiu o conselho deles e prometeu impor um jugo pesado sobre Israel. Tragicamente, esses eventos levaram à divisão de Israel. A partir daquele momento, Israel ficou dividido nos reinos do norte e do sul, e eventualmente ambos foram enviados ao exílio.

A maioria de nós não tem o destino de um reino em nossas mãos, mas o princípio ilustrado na história de Roboão é verdadeiro para todos nós. As pessoas com quem nos cercamos e convidamos para falar em nossas vidas nos ajudarão a nos inclinar para a sabedoria ou nos afastarão dela.

Paulo explicou isso da seguinte maneira em 1 Coríntios 15:33: “Não se enganem: ‘As más companhias corrompem os bons costumes’”. A igreja de Corinto estava passando por divisões e confusão em várias questões importantes, uma das quais era a crença essencial na ressurreição dos mortos. Então Paulo lembrou-lhes que era importante prestar atenção em quais palavras, conselhos e opiniões eles estavam ouvindo. Ele os advertiu a se distanciarem das pessoas que negavam uma doutrina fundamental da fé.

Quero ser cuidadosa aqui. Isso não significa que precisamos concordar completamente com todos os nossos amigos em questões secundárias (que chato!) ou que não devemos desfrutar de uma conversa rica com aqueles com quem discordamos em crenças fundamentais (devemos!). E isso não significa que devemos sempre nos distanciar dos incrédulos. Mas significa que precisamos ter cuidado com quem procuramos quando buscamos sabedoria.

Busca coletiva

No Salmo 90, Moisés incluiu uma oração por sabedoria que você provavelmente já leu ou ouviu antes: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos um coração sábio”. Você já percebeu que Moisés não disse: “Ensina-me a contar os meus dias, para que eu alcance um coração sábio”? Devemos buscar a sabedoria coletivamente. E os amigos do evangelho nos ajudam nessa busca.

Provérbios 27:6 diz: “Fiel é a ferida do amigo, mas abundantes são os beijos do inimigo”. Os amigos do evangelho não são apenas as pessoas que ficam ao seu lado nos momentos bons e ruins. Eles são aqueles que o amam o suficiente para lhe falar a verdade do evangelho, mesmo quando é difícil. São aqueles que também buscam a sabedoria e a fonte de toda sabedoria (Salmos 1.2). São aqueles que fazem você querer amar mais a Jesus. Os amigos do evangelho ajudam você a viver no mundo de Deus de acordo com a Palavra de Deus.

Precisamos de amigos do evangelho que nos lembrem que esta vida nunca foi para ser tudo para nós — há uma vida melhor por vir. Precisamos de amigos que nos confrontem com compaixão quando veem pecados habituais em nossas vidas. Precisamos de amigos que nos apontem repetidamente para nossa alegria certa e futura, lembrando-nos de que nossa esperança não está nas coisas deste mundo. Ao fazermos isso juntos, todos cresceremos em sabedoria.

Muitas vezes me perguntam: “Mas como encontramos amigos assim?” Se você está fazendo essa pergunta, sugiro primeiro que peça a Deus por amigos do evangelho. Eu vi Deus responder a essa oração em minha vida várias vezes. Também recomendo investir em amizades dentro de sua igreja local. Os membros da igreja devem ser pessoas que o ajudam a seguir Jesus. E, por último, pergunte a si mesmo se você é esse tipo de amigo para os outros.

Um dos meus professores do seminário fez uma pergunta que moldou a maneira como encaro as amizades no corpo de Cristo: “Quem está prosperando por causa da sua influência?” Quero fazer duas perguntas semelhantes: Quem está prosperando porque você está crescendo em sabedoria? E quem está ajudando você a crescer em sabedoria?

Considere a voz de quem você está ouvindo e a vida de quem você está influenciando. Cultivar amizades no evangelho não é algo unilateral. Cresceremos em verdadeira sabedoria à medida que amarmos e seguirmos Aquele em quem toda a sabedoria se encontra — juntos.

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