Você já ouviu ou disse:
“Você não é mais a mesma, você mudou.”
“Quero voltar a ser quem sou!”
“Quero voltar a me sentir como eu mesma.”
Mas…quem é essa você? Quem te perdeu?
Não é de agora. Desde a minha adolescência que eu me deparo com essa busca por essa pessoa perdida. Todos ao meu redor estão procurando a si mesmos. Encontro isso nas músicas, nos livros, na poesia, nos filmes, nas amigas de antes e de agora, nos mais velhos, nos mais novos, nos ricos, nos pobres, nas solteiras, nas casadas, em quem tem filho e em quem não tem: A busca pelo eu perdido.
Mas quem é você?
Agora temos acesso aos pensamentos até de desconhecidos, em formas de posts. E segue-se esse ciclo debaixo do sol de correr atrás desse vento. Vaidade de vaidade.
O “eu perdido” está por aí em qualquer lugar, menos no agora. Quem eu sou já foi, quando tudo era diferente de agora ou chegará quando as coisas forem diferentes de agora.
Esses dias vi uma amiga solteira dizer que sente falta de ser quem ela era, que lia muitos livros. Mas agora está cheia de trabalho. Já vi inúmeros posts com exatamente a mesma coisa: É lindo ver uma mulher ser mãe, mas é mais lindo ainda vê-la voltar a ser mulher. Homens que se separam por não estarem mais se sentindo os mesmos. E lá se vão atrás da aventura de encontrar esse ser que já se foi.
O “eu perdido” está feliz em algum lugar do passado ou do futuro. Ou nos dois. Ele está lá no futuro onde encontrou o passado de quem eu era.
Será? Mas quem é você?
Imagina só que você encontre esse seu eu, que você acha que te faz sentir você mesma, que te faz voltar a ser quem você supostamente é. E se ela não quiser voltar pra você, por você estar justamente onde ele queria estar, lutou para estar e orou para estar?
Eu era feliz e não sabia!
- Dizem os jovens que entraram na faculdade depois de anos de luta para chegar nesse marco. Mas agora eram felizes antes, quando estavam na escola.
- Dizem os novos adultos que queriam tanto ter sua independência financeira. Mas agora que têm, eram felizes quando moravam com os pais.
- Dizem as casadas que queriam tanto casar. Mas agora eram felizes quando estavam solteiras e não tinham os desafios do casamento.
- Dizem as mães que foram abençoadas a gerar vida. Mas agora eram mais felizes quando não precisavam se preocupar tanto com outro ser além delas mesmas.
- Dizem os mais velhos que queriam tanto que os filhos saíssem de casa. Mas agora eram mais felizes quando tinham a família unida ali.
Temos essa tendência a enxergar nossa felicidade fora do presente. Aliás, essa é a trilha do descontentamento. Somos naturalmente egoístas, descontentes, ingratos.
Passado ou futuro.
Eu era mais feliz quando…
Eu serei mais feliz quando…
Como o povo do Egito, ficamos cegos mesmo para a realidade do que era.
E se você for honesta, se voltar realmente a esse passado, você não era mais feliz do que agora. Você só está vivendo a ilusão da nostalgia que acoberta com fumaça as dificuldades que você também enfrentava lá, acoberta a sua insatisfação lá, seus sonhos com coisas diferentes lá. É só a forma como você está enxergando agora que você está exatamente onde dizia que seria mais feliz quando chegasse. Percebe o ciclo sem fim?
Você quer mesmo viver assim? Infeliz até que a morte te separe da sua ilusão do eu perdido?
Quem é você?
Eu até compreendo que os descrentes achem que são aquilo que já foram. Que busquem a “inocência” passada, mais conhecida como irresponsabilidade, o egocentrismo de uma criança. Até entendo descrentes acharem mesmo que eram mais felizes quando suas únicas preocupações eram eles mesmos, com o mínimo de responsabilidade possível e o máximo de diversão para si mesmos. Até entendo que descrentes coloquem na lista de best sellers, livros sobre como se importar menos com outros, sobre como pensar mais em si mesmos.
Mas você, minha irmã em Cristo? Você sabe quem você é!
Vejo algumas mulheres, por exemplo, casadas e com filhos, que relatam precisar sair de casa sozinhas para se sentirem elas mesmas. Em busca de alguma liberdade. Cristãs que dizem que você é mulher e não mãe, e não esposa. E que usam esse mesmo discurso de “me sentir como eu”.
Veja, eu compreendo um lado disso. Todas nós, independente de trabalhar em casa com filhos ou fora sem filhos, gostamos de ter um tempo diferente, um tempo só. Isso é importante e é bom. Mas não com esse discurso de que precisa disso para se sentir você mesma, entende?
É verdade que sua identidade não está em ser mãe, em ser esposa. Mas quero que você entenda que Deus está usando tudo o que você passou e tem passado até aqui para forjar Cristo em você! Cada papel que ele te coloca a desempenhar, ele está trabalhando em você não para você voltar a ser quem você era, mas para você andar para frente, rumo ao alvo. Isso significa, minha irmã, que mesmo que você saia sozinha por dias, você ainda será a mulher que vai se comportar como quem tem um marido e filhos. Você não vai sair por dias como aquela moça que você era quando solteira. Você não é mais ela. Mesmo que Deus levasse seus filhos e marido, você não é mais aquela.
Não, Deus não nos quer sempre as mesmas. Deus não quer que você volte a ser quem você era. Deus quer que você CRESÇA, que você AVANCE para o alvo. Deus não quer que você lamente sair do leitinho. Deus quer te tornar mais santa a cada dia que passa. Deus quer que você seja mais e mais parecida com Cristo a cada dia que passa. Deus quer que você AMADUREÇA no seu caráter cristão. Deus quer que você ANDE PRA FRENTE, se tornando cada vez menos quem você era e cada vez mais quem Cristo é.
Deus quer que você cresça em quem você foi criada para ser: IMAGEM DE SEMELHANÇA DE DEUS. Essa é você. Foi essa pessoa que se perdeu POR CAUSA DO PECADO! É essa pessoa que você está se encontrando a cada dia que passa por causa DE JESUS! Você está em processo de ser refeita a imagem de Deus por meio de Jesus Cristo. Essa é você!
Para isso você vai, principalmente, crescer em amor a Deus e ao próximo todos os dias. Seguindo os passos de JESUS. E isso significa tomar a sua cruz e caminhar para frente. O que é totalmente o oposto do viver para si mesma, que você quer tanto voltar a ser. Seguir a Cristo para ser quem você realmente é, é um caminho de rendição, que exige sacrifício, que vai vir com dores e sofrimentos já prometidos na Bíblia para fazer sua fé PERSEVERAR.
Seguir Cristo para ser quem você realmente é, é também andar em chão firme, com a confiança de quem já tem a certeza da vitória final. Com a confiança de que, até chegar lá, você está sendo carregada e conduzida por um Pai amoroso, que te ama, que cuida de você, que te sustenta e que já te deu a coroa com Cristo.
Você não precisa mais ficar procurando encontrar seu eu no passado ou no futuro. Deus já te encontrou para você, quando enviou seu próprio filho para morrer pelos seus pecados. Deus encontrou você na Cruz, onde o sangue de Jesus foi derramado por você e te limpou de todos os seus pecados. Deus te fez uma com Jesus, se você está nele, também ressuscitou com ele e será encontrada com Ele na eternidade pelos séculos do séculos.
Você quer voltar a se sentir você? Saia de você.
Vá para os braços seguros do Pai. Vá para Cristo. É nele que você está.
Creia, arrependa-se, siga, obedeça, ame.
Quanto mais semelhante ao Filho o Espírito Santo for te tornando, mais contente e grata você estará com cada fase que Deus te colocar. A fumaça do descontentamento vai parar de te cegar, e você vai ver e provar a beleza que o Senhor está colocando em suas mãos.
Glória a Deus para cada “Você não é mais a mesma, você mudou!” – que a mudança que Cristo opera em você brilhe forte e seja mesmo notada por você e pelos outros.
Você não quer viver assim? Feliz com Jesus no presente, até que a morte te una a ele pra sempre?





